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Carta aberta ao professor Tiago de Rio das Ostras

Carta aberta ao professor Tiago de Rio das Ostras

Saudações!
Meu nome é Danielle. Sou neta e filha de educadoras. Sou irmã e sobrinha de educadoras. Sou cunhada e nora de educadoras. Sou amiga de educadoras. Sou formadora de educadoras. Sou educadora! Sou professora de corpo e alma!
Assisti a barbárie da qual você foi vítima por um vídeo nas redes sociais. Li sua entrevista.
Confesso que chorei… Por empatia e solidariedade. Não tem como: mexeu com um professor, mexeu com todos.
Doeu em mim toda a dor que você sentiu: a humilhação, o descaso, o desrespeito…

Quero te abraçar, mesmo que virtualmente e te dizer: sei que não está fácil!
Muitos de nossos educandos são órfãos de pais vivos. Vivem entre quatro paredes embora sem abrigo… Sem orientação e sem o básico da educação… Sabe, aquela que a vovó chamava de “berço”?
Desconhecem o “por favor”, o “obrigado”, o “não “e os limites…
Chegam nas nossas mãos como barro… totalmente necessitados de um processo formador e transformador.
E em muitos casos, somos os únicos escultores que talham com afeto, porque a escola da vida não costuma ser tolerante ou amorosa.
Propomos-nos a ensinar por amor o que a vida ensina na dor.
E sim, no momento da escolha, nem todos eles escolhem o caminho que entendemos ser o melhor. E lamento por esses também!

Aproveito o espaço para perguntar quando a escola vai começar a repensar seu entendimento sobre limites. Embora acolha e compreenda a situação de vulnerabilidade social e emocional de alguns alunos, entendo que a máxima que diz que o meu direito termina onde começa o direito do outro continua valendo! Onde fica o direito do docente e dos outros alunos que querem aproveitar as aulas?
A sociedade vem sendo permissiva em muitos casos. Ineficaz em suas medidas corretivas.
Eu pergunto: qual a efetividade de se suspender um aluno por três dias? Castigo ou premiação? Ficar em casa dormindo é ruim?
Em que momento este aluno compreendeu o conceito de “para toda ação há uma reação” ou ainda, tudo na vida tem consequências?
Estamos mais para: tudo na vida tem inconsequências…

Temo por um Brasil sem mestres…
Do jeito que as coisas estão sendo administradas, temo que não existam, em breve, pessoas dispostas a se intitularem mestres… Na análise de aspectos segurança pessoal, remuneração, reconhecimento social e realização a profissão de professor é assustadora.

Que este fato, tão triste, possa ser ressignificado! Que outubro traga um dia dos professores com menos maçãs e mais ações!
Que cada família oriente seus filhos! Que cada grupo de docentes se reposicione nas escolas! Que cada escola se valorize perante a sociedade e valorize seus docentes!
Que a escola repense seus conceitos de limite, suas ações corretivas e garanta a integridade do docente.
E que sigamos firmes para vencer esta batalha contra a morte do futuro do nosso país… porque um país sem educação é um país sem futuro!

Um cordial abraço,

Danielle Lourenço

Para saber mais:
https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2018/09/21/professor-agredido-em-sala-de-aula-no-rj-diz-que-chegou-a-pedir-ajuda.ghtml

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